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No dia 12 de agosto, a turma matriculada no corrente ano, batizada “Turma Dona Rosa da Fonseca – Patrono da Família Militar”, realizará o Juramento à Bandeira Nacional. O compromisso solene, no qual o Aluno promete defender a Pátria mesmo com o sacrifício da própria vida, ocorre no momento em que o Aluno está plenamente consciente de suas responsabilidades e atribuições militares. Este é o cerne da cerimônia, que ocorrerá no próximo sábado, no Pátio Agulhas Negras, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

A solenidade tem um significado muito importante para o Aluno, que, após encerrar o primeiro semestre letivo, assume um compromisso tão marcante. “Tem sido um ano corrido, um dia desses estávamos entrando na Escola para terminar o processo seletivo, logo em seguida, fizemos a entrada pelos portões e já estamos fazendo um dos compromissos mais importantes da nossa trajetória militar”, relembra a aluna Adriele do Nascimento Coura. Muito mais do que ter passado por essas etapas de formação, o alunoWillian Larruscain da Silva faz uma retrospectiva sobre a adaptação à caserna. “Lembro que, ao chegarmos, não tínhamos um conhecimento aprofundado sobre como ser militar e o que isso significa. Hoje, estamos inteiramente adaptados, integrados e orgulhosos de fazer parte deste efetivo”.

Dentre as atividades que permeiam a cerimônia de Juramento à Bandeira, a turma recebe, oficialmente, o nome de Turma Dona Rosa da Fonseca, que estará gravado eternamente alma de seus integrantes e na placa a ser inaugurada na Pérgula Tiradentes. O nome da turma presta uma homenagem à matriarca de uma das famílias mais importantes da história do Exército. Dona Rosa da Fonseca criou seus filhos dentro do espírito de civismo, tendo incentivado cinco deles a lutarem na Guerra do Paraguai, onde três foram mortos em batalha e outros dois se destacaram pela bravura, dentre eles, o Marechal Deodoro da Fonseca, o Proclamador da República e primeiro Presidente do Brasil.

Para o Comandante da EsPCEx, Coronel Marcus Alexandre Fernandes de Araujo, este é um momento especial para o Exército. “Essa formatura possui um significado especial. O compromisso de defender a Pátria com o sacrifício da própria vida significa a compreensão dos deveres militares e a predisposição em cultuar os valores e as tradições do nosso Exército. A Turma deste ano já faz parte da história, pois, pela primeira vez, um grupo de alunas participa desta solenidade”, descreve o Coronel Marcus.

  1. Rosa da Fonseca

A matriarca, Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802 – 1873), apesar de não ter ocupado cargos de destaque, teve um importante papel na formação cívica da família. Era casada com Manuel Mendes da Fonseca Galvão (1785 – 1859), também oficial do Exército.

Dos dez filhos da família, oito eram homens, tendo todos eles se dedicado ao Exército e ocupado importantes postos nas forças armadas, na política e na administração pública brasileira. Dos filhos homens, três faleceram em combate (Guerra do Paraguai): Afonso Aurélio da Fonseca (o mais jovem), alferes do 34º batalhão dos Voluntários da Pátria, o Capitão Hipólito Mendes da Fonseca, morto na Batalha de Curupaiti, e o Major Eduardo Emiliano da Fonseca, morto no combate da ponte de Itororó.

Relatos históricos contam que, enquanto se comemorava a vitória de Itororó com grandes manifestações públicas no Rio de Janeiro, Dona Rosa da Fonseca recebia o boletim com a notícia da morte dos filhos. Nem por isso deixou de homenagear as tropas, estampando a Bandeira Nacional em uma das janelas de sua casa. E quando pessoas amigas chegaram para lhe dar os pêsames, teria afirmado: “sei o que houve, talvez até Deodoro mesmo esteja morto. Mas hoje é dia de gala pela vitória; amanhã chorarei a morte deles”. E de fato chorou por três dias, fechada em seu quarto.

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