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“Pela sua delicadeza particular, a idade infantil tem
necessidades únicas e irrenunciáveis”, escreveu o Papa Francisco. A criança
tem o direito a um ambiente familiar saudável e protegido, onde possam
crescer sob a guia e o exemplo de um pai e uma mãe. Tem direito também de
receber uma educação adequada, principalmente na família, e também na
escola, onde as crianças possam crescer como pessoas e protagonistas do seu
futuro próprio e da respectiva nação.

Realmente, em muitas partes do mundo, ler, escrever e fazer os
cálculos elementares ainda é um privilégio de poucos. Além disso, todos os
menores têm direito de brincar e desenvolver atividades recreativas, ou
seja, o direito de ser criança.

O respeito pela criança começa em casa. É um ser humano como os
demais, com as suas características próprias, e não uma coisinha fofa, como
pais e avós costumam apresentar aos amigos como se tratasse de um brinquedo
qualquer.

Por que os professores de nossas escolas estão, hoje, com imensa
dificuldade de cuidar das crianças e adolescentes? Porque não conseguem
deles disciplina, aplicação nos estudos, interesse pelo conhecimento? Por
que não se desligam dos celulares e smartphones? Por que os pais costumam
tericeirizar a educação para a escola e abandonam os professores na arte
difícil de educar, hoje?

Uma boa educação, disciplina e responsabilidade vêm da vida e do
testemunho da família. A criança não nasce pronta, feita, acabada. Nenhum
ser humano é assim. Pessoas, ambiente e os meios de comunicação fazem a
diferença na formação da criança com influências as mais diversificadas.

A criança tem a dignidade de ser humano e filha de Deus: deve ser
respeitada em todas as circunstâncias. Têm o direito de ser felizes.
Precisam ser tratadas como crianças.

Deixem a criança ser criança. Ajude-a a desenvolver atividades de acordo com
sua idade. Precisam brincar, usar sua imaginação no contato com a natureza,
os animais, os seres inanimados. Não exijam dela que seja um adulto à força.
Dêem tempo ao tempo, deixem-na viver a sua idade.

É uma pena ver crianças sem controle e disciplina, vivendo grande
parte do seu dia envolvidas com celulares, num mundo irreal. Estão
permanentemente em contato com a “máquina” e muito pouco tempo com as
pessoas. Dialogam constantemente com a “máquina” e não sabem dialogar, ouvir
e conversar com as pessoas. Relacionam-se com o que aparece na tela, e muito
pouco com os pais, irmãos, vizinhos, colegas de classe ou da igreja.

Outubro criança é mês para estar mais atento a todos os problemas
que envolvem a educação infantil. É tempo de os pais assumirem a sua vocação
de educar, acompanhar, corrigir, exigir disciplina, ser firme nas decisões,
posturas e exemplo.

É tempo também para cada um investir em si mesmo, buscando refazer
sua própria vida, praticando a inocência, a simplicidade, a ausência de
preconceitos com as pessoas, a candura e delicadeza, a fim de poder aplicar
para si a Palavra de Jesus: “Quem não se tornar simples como uma criança,
não entrará no Reino dos Céus” (Mt 18,3; 19,14). E “ai de quem escandalizar
um destes pequeninos, melhor lhe fora amarrar uma mó de moinho ao pescoço e
lançar-se no fundo do mar” (17,2).

Côn. Luiz Carlos F. Magalhães

é pároco da Igreja Cristo Rei e jornalista.

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