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Por Vinicius D’Ottaviano

Iniciando mais um ano da minha coluna, vamos para um novo (velho) tema: Quando faremos realmente “contato com o nosso interior?”. Digo isso com a experiência dos meus anos de seminarista e de prática psicológica no consultório.
Uma das maiores fontes de angústia e infelicidade que podemos ter na vida é o apego… Quando nos tornamos dependentes de alguma situação ou de alguém para que possamos ser felizes, certamente começam os nosso pro­blemas.
Sempre me perguntei, como é impossível controlar a realidade de modo que ela satisfaça todas as nossas necessidades, vontades e desejos. E, claro, descobri que é óbvio que em algum momento acabamos apenas encontrando sofrimentos, perdas, rejeições… ou ­ainda te­remos frustradas quase todas as nossas expectativas (principalmente com relação a pessoas).
A dependência afetiva tem como raiz vários fatores como: uma baixa autoestima, crenças infundadas, criação familiar arquetípica e a necessidade de sentir-se amado(a) para poder acreditar que se possui algum valor.
Sendo assim, destaco aqui, que para “libertar-se dessa prisão” é preciso, em primeiro lugar, tomar consciência de que algo de errado está acontecendo. Quando o primeiro sinal de que se precisa de ajuda surge, é importante agir, principalmente, para que os sentimentos negativos e de fraqueza desapareçam, visto que (sem fazer propaganda) a terapia pode ajudar sim!
Lembrando que, para o apego, a consciência não é necessária; ao contrário, a consciência é a barreira. Quanto mais conscientes nós nos tornamos, menos seremos apegados, porque a necessidade de apego desaparece. Daí as perguntas: “Por que você quer estar apegado(a) a algo ou a alguém? Porque sozinho(a) você sente que você não se basta? Você sente falta de alguma coisa? Algo fica sempre incompleto em você? Você não se sente inteiro(a)? Você precisa de alguém para completá-lo(a)?
Se vocês responderam afirmativamente a algumas destas perguntas acima: Daí o apego… Se não, vocês estão conscientes. Isso não quer dizer que vocês não amarão as pessoas; ao contrário, somente vocês neste estado espiritual podem amar. Uma pessoa que precisa de você não pode amá-lo(a). Ela o(a) odiará, porque você se torna o cativeiro dela, sua prisão.
Ela sente que sem você ela não pode viver, sem você ela não pode ser feliz, então, você é a causa das duas coisas, da felicidade e da infelicidade dela. Ela não pode se dar ao luxo de perdê-lo(a) e isso lhe dará uma sensação de aprisionamento: ela é sua prisioneira e se ressentirá disso; ela lutará contra isso.
Finalizo dizendo sempre que as pessoas odeiam e amam ao mesmo tempo, mas este amor não pode ser muito profundo. Somente uma pessoa que seja consciente, pode amar, porque esta pessoa não precisa do outro.
Mas, então, o amor tem na verdade uma dimensão totalmente diferente: ele não é apego, ele não é dependência. A pessoa não é sua dependente e não o fará dependente dela: a pessoa permanecerá livre e lhe permitirá permanecer uma liberdade. Vocês serão dois agentes livres, dois seres totais, inteiros. Esse encontro será uma festividade, uma celebração – não uma dependência.

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