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Iniciando mais um ano da minha coluna, preconizo o assunto muito importante para as pessoas, assunto este que já me parece que nós, seres humanos estamos dei­xando de perceber durante o período de Pandemia… Sendo assim, vem a primeira pergunta do ano: “Vocês as vezes, até sem perceber, estão evitando pensar e ou falar sobre o que realmente sentem???
Perguntei isso, pois, estou percebendo, que desde o ano passado, os meus pacientes/clientes no consultório, não desejarem mais saber e ou falar sobre alguns fatos que estão bem diante deles(as). Principalmente sobre a Pandemia,
Veja claramente que, talvez por não saber e ou não entender, que muitos de nós se habituaram com frases feitas tipo: “O que os olhos não vêem o coração não sente”, ou “Pensar nisso, ou só nisso dói muito”, ou “Não quero nem saber, para não enlouque­cer…”, ou “Vamos colocar panos quentes?” Ou ainda, as crenças infundadas ou pré conceituadas que devemos colocar para debaixo do tapete situações ou atitudes das quais não sabemos, conhecemos, concordamos ou que nos “machucam” tipo a idéia de perder um ente querido e por isso mesmo, tendemos a fugir, negando o que é óbvio. Mas aí, já venho com a segunda pergunta: “E quais as consequências disso tudo?” Muitas!!!
Preconizo, que em algum momento aquilo que, até então, estava escondido pode se manifestar de alguma forma, seja por uma nova crença, um sintoma, uma doença, um acidente, uma angústia, mais insegurança, mais tristeza, sentimentos de culpa, de arrependimento, entre outros; e muitas vezes sequer relacionamos o fato a situações mal resolvidas e acumuladas ao longo do tempo. Isso acontece porque ainda que nossa consciência queira negar um ou mais fatos reais, tudo é registrado pelo inconsciente… Ou seja, uma situação não deixa de existir apenas porque a negamos. Quando evitamos a verdade, estamos omitindo de nós mesmos o que sentimos e nos negando a possibilidade de evitar conflitos futuros. Que com certeza irão existir para sempre se não sabidos e tratados.
Percebo também no consultório e agora nas sessões on-line, que em várias situações, podemos até sermos mais prudentes e adiar alguma conversa sobre o que aconteceu e como nos sentimos, mas isso não significa ­deixar para lá, como muitas pessoas preferem. Em algum momento de nossa vida, o deixar para lá vai ressurgir e em geral, de maneira muito mais intensa, pois irá se somar a muitas outras situações que também foram deixadas para lá. É a famosa última gota que faz tudo transbordar!
Fatos estes, que estão se acumulando pelo fato da nova ordem mundial: “Ficando todo mundo mais junto por mais tempo” ou ainda “Isolamentos auto impostos por crenças”… Daí? Tudo transborda… Transborda a paciência, tolerância, a raiva, o ressentimento, as mágoas, podendo compro­meter a amizade, admiração, e até o amor!
Quando somos acusados injustamente por algo que não fizemos, é natural que tentemos nos defender, mas nem sempre fazemos isso, pelos mais diferentes motivos. Alguns alegam que é para evitar brigas, outros sentem dificuldade em demonstrar o que sentem diante de alguma situação, outros ainda querem tanto agradar que nem pensam na possibilidade de dizer o que pensam, enfim, no fundo queremos “pouparmos” e ou “poupar” as outras pessoas em detrimento de nosso próprio sofrimento. E isso é justo?
Calma! Não quero defender a idéia de que devemos brigar por tudo, pois, muitos de nós nem sabe os porquês das coisas e fatos… Procurar saber a verdade, estudar e expandir a nossa consciência é um dever fundamental para sabermos impor limites e nos fazer respeitar quando alguém nos invade e ou nos machuca. Isso tudo, deve ser entendido como saudável e não como mais fontes de brigas.

Vinicius D´Ottaviano Ph. M. – Psicologia Clínica
viniciuspsique@hotmail.com

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