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Animais perdidos pela cidade sempre são procurados por seus donos. Cuidam deles como seres que pertencem à própria família e com eles partilham sua casa, seus alimentos e seu carinho. Belo pensamento esse que se traduz em gestos concretos.
Essa maneira de tratar os animais já observei ao visitar vários países de nosso planeta. Cachorros, macacos, patos, pássaros, gatos e tantos outros animais são cuidados carinhosamente por todo e qualquer cidadão da Índia. Eles estão andando pelas ruas e pelas casas, alimentados por todas as pessoas que não se sentem incomodados por eles.
Quando passei pela Turquia minha amiga me fez perceber como todos os cidadãos cuidavam dos gatos. Nós os encontrávamos por todos os lugares, passeando calmamente pelas ruas, pelas ruínas e até pelas casas e bibliotecas. Ninguém se sentia incomodado por eles. Estão integrados à vida do povo e da cidade.
Infelizmente, vamos descobrindo que há pessoas que não gostam de animais. Pior: os abandonam e maltratam. Eles fazem parte da nossa vida e de nosso cotidiano. Eles nos entendem, obedecem e até contam suas histórias.
Está no Livro do Gênesis que todos os seres criados por Deus viviam amorosamente no Paraíso trocando cuidados: homens e animais. Isaías anunciava a profecia que diz: “o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos e um menino pequeno os conduzirá” (Is 11,6-9 e 65,25).
Dóe o coração ver pessoas abandonando animais pelos parques da cidade, pelas ruas, e até colocando animais recém-nascidos nos bosques ou na casa do visinho. Por que será que se sentem tão incomodados? Por que essa proximidade amorosa os aborrece tanto? Para que os rejeitam? Será que esta convivência amorosa evoca sentimentos que o ser humano não mais está acostumado: acolher, nutrir, cuidar, dar colo, afagar? São questões a serem tratadas antes que a crueldade se torne lei em relação ao cuidado dos nossos animais.
O medo do afeto chegou a tal ponto na rejeição pelo animal que muitas pessoas de nosso século desenvolveram em si tal alergia aos animais que são capazes de tomar atitudes cruéis para afastá-los; e não correrem o risco de derreter o seu coração para o cuidado do outro.
Sei que muitos poderão me contestar perguntando: “Mas, há tantas crianças abandonadas e tantos idosos esquecidos, por que não cuidar dessas pessoas, ao invés de gastar dinheiro com animais?” Isso também é importante, mas aqui se pergunta: por que tanta rejeição a esses seres que muitas vezes tornam-se únicas com­panhias de nossos avós e crianças?
Esta é a doença do século: rejeitar e descartar. Rejeitar o outro é rejeitar a si mesmo. Haverá por acaso cura para isso? Sim, desde que o ser humano decida se tornar humano e deixar fluir o amor.
Pessoas que rejeitam animais precisam pensar muito em suas atitudes. De onde vem esse sentimento? O que realmente significa? Tomar uma atitude contrária é muito mais producente. Aqueles que não gostam de animais, não querem partilhar seus sentimentos com eles, não os desejam em suas casas, ao menos poderiam ajudar financeiramente aqueles que recolhem gatos e cachorros abandonados nas ruas, proporcionando que sejam alimentados, castrados e tratados com remédios.

Côn. Luiz Carlos Maga­lhães é jornalista e Pároco Emérito da Paróquia Cristo Rei

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