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Avaliação automatizada detecta mais pessoas com a síndrome e melhora o resultado do tratamento

  As oscilações da temperatura e a baixa umidade do ar no inverno estão entre as principais causas da síndrome do olho seco. A doença atinge 12% dos brasileiros e aumenta no frio por causa dessas duas variáveis ambientais. Sensação de areia nos olhos, vermelhidão, fotofobia, visão embaçada e em alguns casos lacrimejamento frequente são os principais sintomas. “O olho seco não está entre as principais causas de cegueira no país, mas a falta de tratamento pode causar cicatrizes na córnea que levam à diminuição permanente da visão, sobretudo entre alérgicos e pessoas com ceratocone” afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier de Campinas.

Parte dos portadores não conseguem perceber a síndrome logo no início. É o que mostra um estudo realizado em Milão com 715 participantes.  No grupo, 11% foram diagnosticados com a síndrome, mas não percebiam o ressecamento dos olhos. O especialista esclarece que geralmente estes casos sem sintomas estão associados a alguma disfunção inicial nas glândulas de meibômio que ficam localizadas nas bordas das pálpebras superior e inferior.  “Isso acontece porque estas glândulas produzem a camada gordurosa da lágrima que impede a evaporação da lágrima. “Como 98% do filme lacrimal é formado por água, a evaporação passa despercebida quando é pequena”, esclarece. A boa notícia é que já está disponível no Brasil a tecnologia usada pelos pesquisadores italianos no diagnóstico de portadores sem sintomas.

Como funciona

Queiroz Neto afirma que o olho seco é uma doença multifatorial que envolve alterações do filme lacrimal, distúrbios visuais, lesões e inflamações na superfície ocular O exame tradicional , observa,  dificulta medir o volume e a qualidade real da lágrima. Isso porque, requer uso de colírio ou contato direto com o olho que pode ficar irritado e lacrimejar como reação de defesa.

O oftalmologista explica que o exame automatizado é feito com   uma câmera que emite luz infravermelha e é teleguiada por um software para avaliar sem interferência na superfície colar as 3 camadas da lágrima – aquosa, gordurosa e proteica. O exame ainda inclui a avaliação das pálpebras inferior e superior e das glândulas de meibômio. Por isso, permite flagrar logo no início uma blefarite, inflamação na pálpebra que está relaciona a alterações nas glândulas de meibômio

Causas

Uma pesquisa feita por Queiroz Neto mostra que a prevalência de olho seco entre jovens com ceratocone é de 24%, o dobro da encontrada no restante da população. Outras causas da síndrome elencadas pelo médico são:

  • Exposição ao frio, clima seco, ar condicionado, vento e poluição.
  • Envelhecimento, sobretudo a menopausa que reduz a lubrificação das mucosas.
  • Síndrome de Steven Johnson,  doença de Sjögren que reduzem a produção lacrimal.
  • Artrite reumatoide, hipertensão arterial, diabetes e conjuntivite
  • Muito tempo no computador, celular ou tablet.
  • Uso de anti-histamínicos, descongestionantes, medicamento parta hipertensão arterial, antidepressivos.
  • Uso prolongado de lentes de contato

As dicas do oftalmologista para prevenir o olho seco são:

Nas telas digitais olhe para o horizonte a cada 20 minutos.

Na dieta inclua 5 porções de verduras e legumes ao dia e fontes de ômega 3 – sardinha, salmão, bacalhau e semente de linhaça.

Beba água para ajudar na hidratação dos olhos

Use óculos para proteger os olhos nas atividades externas.

Retire a maquiagem e a lente de contato antes de ir dormir

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