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O leite é um dos alimentos mais consumidos em todo mundo, classificado entre os 5 produtos mais comercializados, tanto em volume quanto em valor (Global Dairy Platform, 2017).

Aproximadamente 116,5 kg de leite são consumidos por cada habitante, uma quantidade que aumenta 1,2% ao ano. No Brasil, a indústria de laticínios é o segundo segmento mais importante da indústria alimentícia.
Além da importância econômica para a população mundial, o leite também é uma fonte de nutrientes ressaltada por estudos na literatura científica. Um alimento complexo que contém altas concentrações de macro e micronutrientes, o leite é classificado como uma fonte de proteína de alta qualidade e fornece contribuição significativa de cálcio, magnésio, selênio, riboflavina, vitamina B12 e ácido pantotênico.
Considerada uma das principais fontes de cálcio, recomendações dietéticas indicam o consumo de pelo menos 3 porções de laticínios por dia, incluindo o leite original. Para exemplificar o teor deste nutriente, destaca-se que em 1 copo de 200 ml de leite é possível obter 250 mg de cálcio, o que representa aproximadamente 25% do valor total diário recomendado para um adulto saudável.
Leite e os efeitos para saúde humana
Um dos principais benefícios atribuídos ao consumo regular de leite e derivados é em relação ao metabolismo ósseo. Há evidências de que a ingestão adequada de cálcio e proteína na dieta é essencial para atingir o pico de massa óssea durante o crescimento, em crianças e adolescentes, e para prevenir a perda óssea em idosos no processo de envelhecimento.
Os efeitos benéficos do consumo de produtos lácteos e sua eficácia na massa mineral óssea durante o crescimento em crianças são suportados por meta-análises de numerosos estudos clínicos. O maior ensaio clínico randomizado (RCT), realizado por Du e colaboradores (2004) com produtos lácteos, encontrou ganhos significativamente maiores em altura, peso corporal e conteúdo mineral ósseo em meninas com 10 anos em idade escolar, que receberam leite em dias letivos por período de 2 anos.
Outros benefícios podem ser explorados em relação ao consumo regular de leite e derivados. As proteínas lácteas podem ajudar no aumento da saciedade e estimular os mecanismos reguladores da ingestão de alimentos conhecidos por sinalizar as vias de fome e saciedade. Assim, é possível compreender que seu consumo, junto a um planejamento dietético equilibrado e um estilo de vida saudável, pode favorecer a regulação do peso corporal.
Consumo de leite e a qualidade do sono
Alimentos proteicos como produtos lácteos, são as principais fontes do aminoácido indutor do sono, o triptofano. Segundo um estudo recente, publicado em abril de 2020 (Muscogiuri e colaboradores), que mostrou recomendações nutricionais em período de quarentena, o consumo de lácteos no fim do dia pode ajudar a induzir o sono e contribuir com a regulação da saciedade. Esse mecanismo se dá por conta do teor de triptofano, envolvido na síntese de serotonina e melatonina, ambos favorecendo o equilíbrio e a qualidade do sono.
O recente estudo ainda destacou que os peptídeos bioativos presentes nos alimentos lácteos podem aumentar a atividade das células natural killer e reduzir o risco de infecções respiratórias, de acordo com as avaliações dos autores.
Além de todas essas vantagens nutricionais, ressalta-se que o leite é um dos produtos mais versáteis da agroindústria de alimentos. Pode ser consumido na sua forma original, e também transformado em diversos tipos de derivados, incluindo suas versões zero lactose que são indicadas para o cardápio de pessoas com intolerância ao açúcar presente na bebida.
Roberta Lara é graduada em Nutrição pela Universidade  Sagrado Coração (USC – Bauru), com residência em Nutrição Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Especializou-se e realizou seu mestrado e doutorado em Investigação Biomédica, na Área de Concentração em Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto na USP. É Pesquisadora Colaboradora do Laboratório de Genômica Nutricional (LABGEN) da UNICAMP – unidade de Limeira. É membro do Núcleo de Nutrição e Saúde Cardiovascular do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e do Comitê Científico Consultor Institucional Life Sciences Institute (ILSI).
REFERÊNCIAS
1. Muscogiuri, G. et al. Nutritional recommendations for CoVID-19 quarantine. European Journal of Clinical Nutrition (2020) 74:850–851.
2. Du X, Zhu K, Trube A, Zhang Q, Ma G, Hu X, Fraser DR, Greenfield H. School-milk intervention trial enhances growth and bone mineral accretion in Chinese girls aged 10–12 years in Beijing. Br J Nutr. 2004;92(1):159–168.
3. Rozemberg, S. et al. Effects of Dairy Products Consumption on Health: Benefits and Beliefs—A Commentary from the Belgian Bone Club and the European Society for Clinical and Economic Aspects of Osteoporosis, Osteoarthritis and Musculoskeletal Diseases. Calcif Tissue Int (2016) 98:1–17.
4. Siqueira, K. O Mercado Consumidor de Leite e Derivados. Embrapa, 2019.
5. GDP – Global Dairy Platform. Annual Review 2016. Rosemont, IL, [2017]. Disponível em:< https://www.globaldairyplatform.com/wp-content/uploads/2018/04/2016-annual-review-final.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2020.

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