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Entre todas as doenças que atingem os ossos, talvez as mais incidentes hoje sejam a Osteoporose (aumento da porosidade dos ossos) – predominantemente em mulheres– e a Artrose (aproximação crônica de dois ossos de uma articulação, comumente acompanhado de degeneração óssea).
Uma das recomendações para prevenção e/ou tratamento de um processo osteoporótico ou de artrose presente é a prática regular de exercícios físicos. É consensual também no meio científico, nesses casos, que o fortalecimento muscular seja fundamental, principalmente àqueles que se enquadram na terceira idade,- população mais acometida por essas enfermidades -, tornando indispensável a prática de exercícios com pesos (musculação).
Em relação à osteoporose, com as forças causadas pela sobrecarga externa, há a compressão óssea (forças que “apertam” os ossos), mecanismo que gera resposta osteogênica, ou seja, gera estímulos para ganhos de massa óssea. Essa sobrecarga externa não pode ser confundida ou classificada como um fator de risco, tendo em vista que a carga, a quantidade, velocidade de execução e amplitude de movimento são variáveis facilmente manipuláveis em qualquer caso, tornando o índice de lesão realmente baixo.
Já sobre a artrose, o principal mecanismo é através do ganho de força, que gera um ciclo de aconte­cimentos positivos, fazendo com que haja uma maior tensão na musculatura, diminuindo a instabilidade e os atritos, contribuindo para a dimi­nuição da dor. As adaptações, principalmente em relação à amplitude do movimento, também são facilmente ajustadas.
É muito comum, nesses casos, a procura equivocada por atividades aquáticas, tendo em vista que no meio líquido a pessoa quase que totalmente submersa perde o principal componente de estímulo de osteogênese no caso de osteoporose: a gravidade. O mesmo acontece com a artrose, considerando que apesar de na água também haver poucas chan­ces de lesões, ela não permite uma intensidade suficiente para o ganho de força, para então resultar no ciclo de acontecimentos citados acima.

Terceira idade e segurança na Musculação
Muito se fala hoje sobre a segurança em exercícios físicos para indivíduos idosos, inclusive os mais debilitados, e qual seria a melhor modalidade para essa população. Há sempre algum tipo de limitação em cada atividade: a pouca mobilidade para entrar e sair da piscina em atividades aquáticas, a incapa­cidade cardiorrespiratória ou o problema do impacto nas cami­nhadas, ou até as fragilidades articulares para modalidades um pouco mais incomuns nessa geração, como por exemplo, o ciclismo.
Considerando que geralmente todas essas limitações se originam de um déficit de força expressivo (ocasionados por fatores fisiológicos, mecânicos e psicossociais geralmente inerentes a essa faixa etária), não seria interessante pensarmos que o simples reganho dessa força (ou parte dela) é o suficiente para termos uma condição satisfatória para as atividades da vida diária?
Partindo dessa premissa, muito se estuda o que a Musculação (num âmbito terapêutico) pode oferecer a seus praticantes da terceira idade, e os resultados sempre foram promissores, tanto no quesito benefícios quanto no quesito segurança. Basicamente, tudo isso se deve a facilidade que temos em controlar suas variáveis de intensidade, que são: carga (o peso é o que o praticante tolera), volume (frequência semanal e número de séries e repetições por sessão), pausa (relativo ao descanso entre séries e exercícios), cadência (velocidade de execução dos movimentos) e por último, e não menos importante, a amplitude do movimento em cada exercício, devendo a mesma ser sempre nos limites toleráveis das articulações e sem que haja nenhum tipo de dor ou desconforto.

Bruno Loução – Diretor Técni­co da Academia THERA.
Especialista em Fisiologia do Exercício e Musculação na Saúde, na Doença e no Enve­lhecimento

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