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Foi um tempo maravilhoso. Sempre é maravilhoso quando você aceita a nomeação que vem do bispo, e assume a paróquia como missão, uma bênção, uma forma de aprendizado e oportunidade de crescimento pessoal e serviço à Igreja.
Em cada lugar que passamos, deixamos um pouco de nós mesmos e a marca de nossa presença e de nosso jeito de ser. Se não for assim, fica bem claro que não assumimos nada, apenas aproveitamos o cargo para passar o tempo, juntar dinheiro e receber elogios e promoção, fazendo “carreira”. Por outro lado, sentimos que muitas pessoas também marcam a nossa vida com seus gestos de atenção, apoio e carinho.
Passado esse tempo, é bom poder olhar para trás e ver as pessoas que acolhemos e acompa­nhamos atentamente, “em tempo de alegria e de tristeza, de saúde e de doença”, de presença e de ausência na comunidade. Mais alegria ainda, ver e acompanhar o crescimento das crianças na vida de fé e de amor à comunidade e ao Senhor.  Que digam os pais que acompanharam os filhos na Missa das Crianças, na Catequese, no coral infantil e outras promoções.
É motivo de orgulho ver e sentir que tudo o que consegui na Paróquia Cristo Rei foi com o apoio da Equipe Executiva, Conselho Paroquial e de Administração, Equipes de Pastoral e membros da comunidade. Aprendemos todos, que a Paróquia não é o Padre, e que os leigos não são coroinhas nem estepe do Pároco, e que uns e outros não podem estar ausentes da vida cotidiana das famílias, das pessoas e da realidade local com seus desafios.
Vale a pena recordar e agradecer a Deus que está no “comando”: me ocupei com a vida e formação da comunidade, criando nos leigos a consciência de participação consciente, motivando para a Missão, inspirados na proposta de Aparecida, uma Igreja “em saída”, missionária e presente na realidade do bairro, nos condomínios e nos prédios.
No projeto da Paróquia posso destacar algumas prioridades: a catequese, atual e atuante, envolvendo os pais e conquistando as famílias através da Missa das Crianças; os Ministros dos Enfermos, visitando e acompanhando os doentes e idosos, nas residências, clínicas de repouso e hospitais; a catequese batismal, acolhendo os pais em cerimônia especial dentro da missa; a confraternização entre equipes, com atenção especial para a festa junina; o serviço de secretaria, porta de entrada para a comunidade.
Na caminhada pastoral, sempre dei prioridade à formação, participação e vida em comunhão. Contudo, senti que era necessário oferecer melhores condições materiais para os leigos cumprirem sua missão: por isso, promovemos a restauração do templo, as ­construções da capela, do salão social e salas de reuniões; a instalação de câmeras de segurança, sistema de alarme e hidrantes contra incêndio; a ampliação das salas ao lado da casa paroquial e o cuidado com as árvores e jardins.
Um ano se passou desde que deixei a comunidade Cristo Rei. É preciso “saber a hora de sair” e ter sensibilidade para ouvir a “voz de Deus”. Como já escrevi nesta co­luna, há líderes que “agarram-se demasiado ao cargo que assumem e se consideram insubstituíveis. Senhores de si, entendem que, depois deles, ninguém mais poderá fazer o que eles fizeram”.
A vida “passa”, irmãos. Depois de 23 anos a serviço da Diocese e 32 anos em duas paróquias é preciso dar um acabamento aos projetos realizados. E isso inclui o cuidado consigo mesmo. Há outras formas de servir o povo de Deus.

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