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*Adalberto Santos

Há poucos dias nos deparamos com notícias um tanto quanto confusas a respeito do presidente Jair Bolsonaro, que teve seu nome envolvido pelo porteiro do condomínio onde possui um imóvel. Obviamente não vamos ficar criando teorias de conspiração. Na verdade, gostaria de chamar a atenção ao fato que pode acontecer com qualquer morador de um condomínio.

O porteiro alegou que um indivíduo chegou na portaria e pediu para ir à casa do então candidato à presidência. Disse que ele havia ligado na casa e o “Sr. Jair” atendeu e autorizou a entrada do homem. Em seguida o porteiro fez anotações em um formulário de papel com os dados da casa do “Sr. Jair” e liberou a entrada, conforme foi verificado pela investigação (Anotou errado? Se enganou?). O problema é que o homem não se dirigiu à casa do “Sr. Jair” e sim à outra residência do mesmo condomínio, que era o seu verdadeiro destino, pelo que aponta as investigações. Logo a imprensa divulgou que o “Sr. Jair” não estava no condomínio e não poderia ter atendido a ligação; gravações obtidas pela polícia também comprovaram que não houve tal ligação. Algum tempo depois o porteiro deu novo depoimento dizendo que se enganou.

Como disse anteriormente, minha intenção não é acusar ou defender qualquer um dos atores desse episódio. Quero mostrar que qualquer um de nós, que more em condomínio, pode ter seu nome envolvido em um episódio parecido, correndo o risco de nunca os verdadeiros fatos serem descobertos.

Um indivíduo pode perfeitamente enganar o porteiro – ou contar com a participação dele (sabemos que existem bons e maus profissionais em qualquer segmento da sociedade).  E é muito simples:  basta registrar a entrada de uma pessoa como visita de alguém, sem que esse alguém saiba. Daí por diante qualquer coisa pode acontecer dentro do condomínio. Se for um ato criminoso, mesmo com câmeras de segurança será muito difícil detectar exatamente o que aconteceu e quem realmente autorizou ou não essa entrada indevida.

Isso é possível? Sim. A história que criamos para exemplificar é muito semelhante à que aconteceu com o Bolsonaro.

Hoje é muito importante que os condomínios residenciais possuam sistemas que registrem com fidelidade exatamente quem autorizou a entrada de forma escrita e com todos os dados, tanto de quem autorizou, quanto de quem foi autorizado. Lembrando que a autorização deve partir do morador e não o pedido deve partir do porteiro ou recepcionista. Essa é a única maneira de se ter certeza de quem realmente fez a liberação e quem será o responsável por tal decisão.

Já existem softwares e aplicativos que permitem perfeitamente essa melhor verificação e registro, como por exemplo, o SigmaApp. A cada dia os marginais aprimoram seus mecanismos, pois o crime é dinâmico. Por sua vez, a segurança também deve estar atenta à essas novas modalidades. Óbvio que tecnologia não é segurança, e sim mecanismos que aumentam a eficiência do processo de segurança. Se quisermos ter um equilíbrio entre conforto e uma verdadeira segurança, não podemos abrir mão desses novos dispositivos.

 

* Adalberto Santos é especialista em segurança e diretor superintendente da Sigmacon. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança.

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