INPI registra recordes de pedidos de patentes em 2025
INPI
Universidades, centros de pesquisa e investimentos privados em inovação puxam volume na região de Campinas
O Brasil registrou recorde de pedidos de registros de marcas e patentes em 2025, segundo dados do Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). No ano passado, foram registrados 504.461 mil depósitos de registros de marcas, alta de 7,9% em relação a 2024, e 29.557 registros de pedidos de patentes, aumento de 6,7% na comparação com o ano anterior. Os números refletem maior conscientização das universidades, centros de pesquisas e iniciativa privada sobre a importância da proteção da inovação no país.
De acordo com o Boletim Mensal de Propriedade Industrial, divulgado pelo órgão responsável pelo recebimento dos depósitos e análise dos processos no país, também houve 9.872 pedidos de desenhos industriais em 2025 (alta de 35,7%), 7.236 de programas de computador (aumento de 36,2%) e 720 pedidos de averbação de contratos de tecnologia (redução de 6%). Os desenhos industriais e os programas de computador também tiveram seus recordes históricos.
Em relação às concessões, os números de 2025 foram: 13.624 patentes (alta de 5,5% na comparação com 2024), 176.559 marcas (crescimento de 6,3%), 8.456 desenhos industriais (aumento de 106,6%) e 6.892 programas de computador (acréscimo de 35,1%). Em 2025, também foram averbados 654 contratos de tecnologia (redução de 9,3%), além de reconhecidas 26 indicações geográficas e registradas cinco topografias de circuitos integrados.
O INPI ainda não divulgou dados regionalizados, mas o Estado de São Paulo tem grande participação nos números apresentados, em função da grande concentração de universidades e grandes empresas com grandes investimentos em inovação e desenvolvimento de novos produtos.
Em 2025, caso de marcas, a maioria dos depósitos (48%) foi de microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte. Já em relação aos pedidos de patentes, 39% foram feitos por pessoas físicas, o que reforça a preocupação dos empreendedores na preservação de seus investimentos e combate à pirataria.
Eduardo Panzani, especialista de marcas e patentes da Vilage Marcas e Patentes Campinas, diz que os números são positivos e demonstram maior conscientização sobre a importância da proteção da inovação no país. “Mas números, por si só, não contam toda a história”, afirma. “As universidades continuam exercendo papel fundamental na geração de conhecimento e no registro de tecnologias, reforçando a força da pesquisa científica nacional. O desafio permanece na etapa seguinte: transformar ciência em soluções industrializáveis, escaláveis e economicamente competitivas”, acrescenta.
Para o especialista, o aumento de pedidos também reflete uma maior maturidade do mercado em relação à proteção de ativos intangíveis e ajustes regulatórios que incentivam o depósito. Segundo ele, esses fatores são positivos, mas inovação estrutural se mede pela capacidade de converter propriedade intelectual em impacto econômico real.
“Patente não é apenas um protocolo. É estratégia. O verdadeiro avanço ocorre quando a proteção se integra ao modelo de negócio, atrai investimentos e gera desenvolvimento tecnológico sustentável. Mais do que celebrar recordes, é momento de fortalecer a ponte entre pesquisa, indústria e mercado, porque inovação só se completa quando cria valor”, afirma Panzani.
Região tem papel importante nos pedidos
Panzani lembra que a região de Campinas, com seus polos de pesquisas, universidades e um alto número de empresas, tem um papel importante dentro do contexto nacional. “A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é uma das universidades que mais depositam patentes, enquanto o CPQD liderou inovação no Brasil com maior número de registros de software e crescimento em patentes em 2024.”
“Unicamp e CPQD são apenas dois exemplos da força da região no desenvolvimento de pesquisas e pedidos de patentes. Aqui estão concentrados importantes polos de negócios e inovação, como agricultura, saúde, farmacêutico, automobilístico, além de outros centros de pesquisas como CNPEM e centros acadêmicos, que resultam em uma grande quantidade de patentes requeridas”, completa o especialista.