Banda TEAfonia do Instituto Anelo faz show no próximo dia 26

TEAfonia

Banda TEAfonia Anelo Maria Eduarda Matheus Cuelbas Ygor Pereira Murilo Teixeira Marcelo Louback e Ygor Melo Foto Caio Santos
Banda TEAfonia: Maria Eduarda, Matheus Cuelbas, Ygor Pereira, Murilo Teixeira, Marcelo Louback e Ygor Melo/ Foto: Caio Santos

A banda TEAfonia, formada por sete músicos autistas atendidos pelo Anelo — organização que oferece formação musical gratuita há 25 anos no distrito do Campo Grande, em Campinas (SP) — se apresenta no próximo dia 26, às 9h30, na sede da entidade. O show contará também com apresentações de cantores, cantoras e músicos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou que possuam vínculos familiares com pessoas neuroatípicas.

Além da apresentação, os alunos estão em estúdio gravando uma composição de nome “TEAfonia”, uma obra autoral que estará disponível em breve  no YouTube do Anelo. A canção é em alusão ao Abril Azul, movimento voltado à conscientização sobre o autismo.

A ideia de uma formação com músicos atípicos surgiu no início de 2026, depois de que Marcelo Louback, que é saxofonista, flautista, compositor, arranjador e produtor musical, recebeu aos 48 anos o diagnóstico tardio de TEA, suporte 1. É dele a autoria da composição “TEAfonia”.

Louback, o professor

A chegada de Louback ao Anelo deu-se em 2018, quando veio para integrar a Orquestra Anelo. Hoje ele também faz parte do  Anelo 6teto, ambos grupos artísticos ligados ao Instituto, e ainda faz parte da Banda Sinfônica de Nova Odessa “Professor Gunars Tiss” e da Banda Municipal de Americana “Monsenhor Nazareno Maggi”.

Com o Anelo 6teto, em 2022, Louback foi premiado na categoria Melhor Música com a composição “Baionado” no 1º Festival de Música de Jundiaí e vencedor da categoria Música Instrumental, com o frevo instrumental moderno “Sem Perder Tempo”, no Festival de Música 100 anos de Rádio no Brasil, realizado pela Rádio MEC e Rádio Nacional, emissoras geridas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do governo federal. Com a TEAfonia, buscou criar algo que fosse mais sonoro e harmonicamente rico. “Pensei em uma peça que transitasse entre o erudito e o popular, com elementos jazzísticos”, explica.

Hoje, conta com a ajuda da esposa Denise Ribeiro, que é psicanalista. “Ela faz o trabalho que ninguém vê, porque ela é terapeuta e me ajuda muito na lapidação da alma, no contexto social e ainda me confronta e me motiva”, diz Louback.

Cinco músicos e uma musicista, os aprendizes

Formada por Boris Wilson (violino), Murilo José Teixeira (piano), Matheus Cuelbas (contrabaixo), Ygor Melo  (bateria), Ygor Pereira (percussão) e Eduarda Santos (piano), a TEAfonia é composta por jovens entre 14 e 26 anos que têm em comum, além da paixão pela música, o diagnóstico de autismo, com diferentes níveis de suporte – 1, 2 e 3. Hoje, o Anelo tem 21 alunos laudados e outros ainda em investigação médica.

Convidados

Além de alguns integrantes da TEAfonia que farão apresentações solo, em duo ou em trio, o show do dia 26 contará com a participação de musicistas, músicos, cantoras e cantores com TEA ou que possuam vínculos familiares com pessoas com desenvolvimento atípico. Dois deles são a violinista Alline Ribeiro, de 32 anos, e o fundador do Instituto, Luccas Soares, de 46 anos.

“A ideia central é dar protagonismo aos alunos/músicos no espectro, mostrando suas potências no campo da música e abrindo espaço para que se expressem através da arte, que muitas vezes pode ser também uma poderosa forma de comunicação, até mais acessível do que a linguagem verbal”, explica Alline, responsável pela produção do show e autista de nível 1 de suporte. Segundo ela, apesar das dificuldades, o autoconhecimento tem proporcionado mais suporte, a possibilidade de ter mais qualidade de vida e relações mais saudáveis.

“Para mim, o diagnóstico tardio tem muitos lados. Há o sentimento de finalmente compreender e dar nome às coisas. Permitiu que eu me respeite e me ame como sou.”, conta Alline. “Episódios da infância e da adolescência, assim como medos, confusões e dores, passam a fazer sentido. Também sinto gratidão por pessoas que, mesmo sem saber, tornaram minha vida mais leve — especialmente minha mãe e minha avó Cida, que me acolheram com carinho e paciência muitas demandas da minha infância, e o Anelo, que sempre foi um ambiente acolhedor e me ajudou a desenvolver habilidades que eu não tinha.”

Soares aponta que o Anelo, desde sempre, leva a inclusão muito a sério.  “Não posso negar que depois do nascimento dos meus filhos, sendo um deles autista, aumentou muito a minha responsabilidade e o olhar mais apurado com a inclusão”, conta. Por isso, sempre busca uma inclusão real, sem romantização, mas com muito amor, respeito e cuidado.

 

Serviço Show da Banda TEAfonia

Dia: 26 de abril

Horário: 9h30 às 11h

Local: Instituto Anelo

Endereço: Rua Vicente de Marchi, 718, no Jardim Florence, em Campinas

Entrada: Gratuita e aberta ao público

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