Centro de Oncologia Campinas recebe mostra de cerâmica do projeto IntegraMente

Estruturado em etapas, o IntegraMente colhe os primeiros resultados da fase piloto desenvolvida desde o início do ano com atividades gratuitas na recém-inaugurada Casa de Bem-Estar, um lugar pensado para oferecer cuidados. Localizada em frente à sede do Centro de Oncologia Campinas, à rua Alberto de Salvo, 432, em Barão Geraldo, a Casa do Bem-Estar promove o senso de comunidade essencial à sustentação do atendimento humanizado priorizado pelo COC.
No próximo dia 6 de julho, das 19h às 21h30, a Casa do Bem-Estar recebe o ‘Jardim de Histórias’ que exibirá peças de cerâmica produzidas por participantes do IntegraMente. O trabalho que ressignifica o tratamento oncológico é carregado de experiências e sentimentos.
Com o IntegraMente, pacientes do COC têm a possibilidade de explorar diferentes vertentes da medicina integrativa. São oferecidos serviços como acupuntura e reiki, além de atividades físicas, aulas de yoga e conscientização corporal, musicoterapia, relaxamento e cerâmica.
“Até pouco tempo atrás, tratamentos como acupuntura, yoga e meditação eram vistos com desconfiança pelo mundo acadêmico. Hoje, a realidade é outra. As mais recentes diretrizes conjuntas da Society for Integrative Oncology (SIO) e da American Society of Clinical Oncology (ASCO), publicadas em 2024, trazem recomendações formais baseadas em rigorosos estudos clínicos”, destaca o oncologista clínico e diretor do COC, Fernando Medina.
A acupuntura, técnica milenar da medicina tradicional chinesa, ganhou respaldo científico, observa o médico. Um estudo clínico randomizado de oito semanas mostrou melhora significativa em fadiga, ansiedade e depressão quando comparada a grupos de espera e à acupuntura simulada. A técnica também se mostrou eficaz para aliviar fogachos, dor articular causada por medicamentos hormonais e neuropatia periférica induzida por quimioterapia
“A meditação mindfulness — uma técnica de atenção plena ao momento presente — recebeu classificação de ‘recomendação forte’ com nível de evidência alto para o tratamento de ansiedade e depressão em pacientes oncológicos”, acrescenta Medina.
Quando a música e a arte entram em cena
Dentre as novidades mais promissoras para os programas de Campinas e Piracicaba estão a musicoterapia e a arteterapia — modalidades que, embora ainda em consolidação no Brasil, já acumulam evidências científicas robustas no exterior.
A musicoterapia utiliza a música de forma clínica e planejada para atingir objetivos terapêuticos. Não se trata apenas de “ouvir música relaxante”, mas de sessões conduzidas por profissionais especializados que podem envolver desde a escuta guiada até a criação musical coletiva.
“Uma metanálise publicada em 2023, que analisou 47 ensaios clínicos, revelou efeitos significativos da musicoterapia na redução de ansiedade, depressão e fadiga em pacientes com câncer de mama. Os cientistas apontam para mecanismos neurobiológicos concretos: a música modula o sistema de estresse do organismo, reduzindo os níveis de cortisol e ativando circuitos cerebrais relacionados ao prazer e ao bem-estar”. Descreve Fernando Medina.
A arteterapia, por sua vez, oferece uma via alternativa para que pacientes expressem o inexprimível. O diagnóstico de câncer, os tratamentos agressivos, o medo da recorrência — tudo isso gera emoções complexas que nem sempre encontram saída pela palavra. Em oficinas de pintura, colagem ou modelagem, os pacientes encontram um espaço seguro para processar sua experiência.
O que a ciência diz sobre alimentação e exercício
As recomendações não se limitam a terapias manuais ou expressivas. A alimentação e o movimento físico ocupam papel central nas diretrizes internacionais.
“Para mulheres que superaram o câncer de mama, especialmente aquelas na pós-menopausa com tumores sensíveis a estrogênio, a dieta baseada em vegetais é recomendada como estratégia de saúde geral. Orientações específicas incluem um “jejum noturno” de 13 horas — intervalo entre a última e a primeira refeição do dia —, limitação do álcool e consumo liberal de vegetais crucíferos (como brócolis e couve), café, chá verde, soja e linhaça”, explica Medina.
Para homens com câncer de próstata, a dieta mediterrânea e padrões alimentares saudáveis demonstraram associação com menor risco de mortalidade por todas as causas.
O exercício físico, por sua vez, apresenta benefícios bem estabelecidos para fortalecer ossos, melhorar composição corporal e bem-estar geral.
“A medicina integrativa não propõe substituir a quimioterapia, a cirurgia ou a radioterapia. Propõe, isso sim, completá-las. O objetivo é que o paciente oncológico, ao deixar o centro de tratamento, leve consigo não apenas o controle da doença, mas também ferramentas para viver melhor — seja através de uma respiração consciente, de uma música que acalma, de uma tela que expressa o que a boca cala, ou de um prato que nutre além do corpo”, finaliza Fernando Medina.