Especialistas reforçam cuidados para prevenção da febre maculosa na região de Campinas
A febre maculosa, transmitida pelo carrapato infectado, acende alerta e exige atenção redobrada em parques, áreas rurais e regiões com presença de capivaras

A febre maculosa continua sendo uma preocupação de saúde pública em Campinas e na região, uma das áreas historicamente mais afetadas pela doença no Estado de São Paulo. Com a presença de ambientes favoráveis à proliferação do carrapato-estrela, principal vetor da enfermidade, e de animais hospedeiros como capivaras e equinos, especialistas reforçam a importância da informação e da adoção de medidas preventivas para reduzir os riscos de transmissão.
Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria da Saúde de São Paulo, o estado concentra a maior parte dos casos de febre maculosa registrados no país. A Região Metropolitana de Campinas figura entre as áreas de maior atenção devido à combinação de fatores ambientais que favorecem a circulação do carrapato infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, agente causador da doença.
A febre maculosa é transmitida pela picada do carrapato infectado e não pelo contato direto com capivaras, como muitas pessoas acreditam. Esses animais atuam como hospedeiros dos carrapatos e podem contribuir para a manutenção do ciclo da doença em determinadas áreas, especialmente próximas a rios, lagoas, parques e terrenos com vegetação alta.
Os sintomas iniciais costumam incluir febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, mal-estar, náuseas e, em alguns casos, manchas avermelhadas pelo corpo. Como o quadro pode ser confundido com outras doenças infecciosas, o diagnóstico precoce é considerado fundamental. De acordo com o Ministério da Saúde, a febre maculosa pode evoluir rapidamente para formas graves quando o tratamento não é iniciado nos primeiros dias após o aparecimento dos sintomas.
Para o médico-veterinário Thiago Fernandes, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, ainda existe muita desinformação sobre a doença, o que reforça a necessidade de campanhas educativas. “A população precisa compreender que a capivara não transmite a febre maculosa. O vetor é o carrapato infectado. As pessoas devem redobrar a atenção ao frequentar áreas com vegetação, margens de rios e locais onde haja presença desses animais, mas sem associar equivocadamente a doença às capivaras”, explica.
O especialista destaca que a transmissão não ocorre imediatamente após o contato com o carrapato. Para que a bactéria seja transmitida, geralmente é necessário que o parasita permaneça aderido à pele por algumas horas, o que torna a inspeção do corpo após atividades ao ar livre uma medida importante de prevenção.
“Após visitar áreas de risco, é fundamental verificar cuidadosamente todo o corpo, além das roupas e dos calçados. Quanto mais rapidamente o carrapato for identificado e removido de forma correta, menores são as chances de transmissão da bactéria”, afirma Thiago.
A recomendação dos especialistas é que pessoas que frequentam parques, trilhas, áreas rurais ou regiões próximas a cursos d’água utilizem roupas claras, de mangas compridas e calças compridas, preferencialmente com a barra por dentro das meias ou botas. Também é importante evitar caminhar em vegetação alta e realizar uma inspeção minuciosa do corpo ao retornar para casa.
Outro ponto de atenção é o reconhecimento dos sintomas. Segundo Thiago Fernandes, qualquer pessoa que apresente febre, dores no corpo ou mal-estar após ter frequentado locais com possibilidade de exposição a carrapatos deve procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre essa exposição. “O histórico de contato com áreas de risco é uma informação valiosa para o diagnóstico. Quanto mais cedo houver suspeita clínica e início do tratamento, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações”, destaca.
As autoridades de saúde reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para combater a doença. Em uma região marcada pela convivência entre áreas urbanas e ambientes naturais, como Campinas e municípios vizinhos, a conscientização da população sobre os riscos e as formas de proteção é considerada essencial para reduzir novos casos e evitar desfechos graves.