Falta de mão de obra preocupa 93,3% dos produtores de hortifrútis

Produtores de hortifrútis relatam redução de trabalhadores nos últimos cinco anos, o que é mais preocupante que custos financeiros, clima, logística e economia, segundo pesquisa; cenário provoca atrasos nas operações, aumento de custos, perda de qualidade, de produtividades e redução da área plantada

 

A falta de mão de obra é o maior desafio dos produtores de hortifrútis, legumes e verduras no Brasil para os próximos dez anos, e preocupa mais do que custos financeiros, instabilidade do clima, problemas de logística e insegurança econômica. Pesquisa da revista Hortifrúti Brasil, do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea), mostra que 93,3% dos produtores afirmam que houve redução na disponibilidade de trabalhadores do setor nos últimos cinco anos.

 

A dificuldade em encontrar trabalhadores, segundo o levantamento, 61% dos agricultores de hortifrútis (HF) relataram atrasos nas operações, 58% perceberam aumento de custos, 44% verificaram perda de qualidade, 43% constataram perda de produtividades e 39% precisaram reduzir a área plantada.

 

“A falta de mão de obra passou a ser um fator de risco para a própria capacidade de produção do hortifrúti brasileiro. Estamos diante de um gargalo que ameaça diretamente a eficiência e a rentabilidade da cadeia. A redução da área plantada é ainda mais preocupante porque significa que a escassez de trabalhadores começa a limitar a oferta de alimentos”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.

O segmento de hortifrúti (fruticultura e olericultura) é o maior empregador intensivo da agricultura brasileira, destacando-se pela elevada demanda por mão de obra direta em comparação com commodities altamente mecanizadas. De acordo com levantamentos setoriais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Abrafrutas, o setor gera entre 5 milhões de empregos diretos e até 13 milhões de postos diretos e indiretos em sua cadeia de suprimentos, que inclui produção, pós-colheita, embalagem, transporte e distribuição.

Agricultores buscam estrategias para enfrentar a falta de trabalhadores Divulgacao Embrapa
Agricultores buscam estratégias para enfrentar a falta de trabalhadores/Divulgação Embrapa

“O hortifrúti tem uma característica que o diferencia das grandes culturas, a capacidade de gerar emprego está diretamente associada à complexidade e ao valor agregado da produção. São milhões de pessoas envolvidas na fruticultura e na olericultura, em muitos casos, uma força de trabalho insubstituível. No hortifrúti, produzir mais com menos mão de obra representa eficiência econômica e garantia de produtividade”, afirma o head da Ascenza Brasil.

Os levantamentos apontam que a fruticultura gera cerca de 6 milhões de postos (diretos e indiretos) e a olericultura (legumes e hortaliças), aproximadamente 7 milhões de postos (diretos e indiretos). A intensidade do uso de mão de obra varia conforme a cultura, o nível de tecnologia e a dependência de colheita manual. Em média, o segmento de hortifrúti (HF) exige 2,6 trabalhadores por hectare, ou 6,3 empregados por cada alqueire paulista (2,42 hectares).

 

Culturas intensivas, entretanto, como uva de mesa, morango, tomate de mesa e mamão, chegam a demandar de 3 a 6 trabalhadores por hectare, entre 7 e 14 pessoas por alqueire, principalmente na poda, raleio (desbaste da planta) e colheita manual contínua. O hortifrúti emprega de 25 a 30 vezes mais pessoas por área do que o cultivo de grãos como a soja e o milho, em que uma pessoa consegue operar mais de 100 hectares.

No caso da colheita, segundo a pesquisa da Hortifrúti Brasil, o segmento tem forte dependência de mão de obra e menor potencial de mecanização porque a seleção dos produtos exige análise humana e manuseio delicado.

 

Gestão e valorização

 

Os agricultores ouvidos na pesquisa citaram como estratégias para enfrentar o desafio de falta de mão de obra a mecanização (21,9% dos entrevistados), técnicas de manejo mais eficientes (21,9%), terceirização (13,3%), melhoria das condições de trabalho (13,3%) e bonificação (12,4%). Para os técnicos da revista Hortifrúti Brasil, a solução envolve mecanização, novas tecnologias, qualificação das equipes, reorganização da produção e novas formas de cooperação. A publicação aponta que o futuro do setor tende a favorecer agricultores capazes de integrar tecnologia, gestão e valorização das pessoas.

 

A tecnologia inclui uso de ferramentas, como drones para pulverização e máquinas para aplicação de insumos. A gestão contempla planejamento, controle de custos e melhores processos, como a fertirrigação, alternativa para unir irrigação e aplicação de adubos num só processo. Os produtores também precisam desenvolver novas maneiras de organizar equipes, tarefas e cronogramas. Uma dessas maneiras pode ser a cooperação, compartilhar máquinas e equipamentos e calendarizar a colheita com parceiros para otimizar o uso de mão de obra, evitando ociosidade.

 

No caso dos trabalhadores, que continuarão sendo necessários, a solução passa por valorização, capacitação e melhores condições de trabalho, segundo a revista Hortifrúti Brasil, que aponta bonificação por produtividade, melhores condições de transporte, alimentação e alojamento, e treinamento para formar equipes melhor preparadas.

 

 

Read Previous

Ingressos para concerto “Paisagens Sonoras” começam a ser vendidos nesta quarta, 19

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *