IA amplia protagonismo dos bibliotecários nas instituições de ensino
Especialistas destacam pensamento crítico, comunicação e aprendizagem contínua entre as competências mais valorizadas na nova realidade das bibliotecas acadêmicas

A rápida adoção da Inteligência Artificial (IA) no ensino está acelerando a transformação das instituições de educação e redefinindo o papel dos profissionais da informação. No Brasil, 56% dos professores afirmam utilizar ferramentas de IA para preparar aulas ou tornar o processo de ensino mais eficiente, segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS).
Nesse cenário de digitalização, as bibliotecas acadêmicas deixam de ser apenas espaços de acesso ao conhecimento para assumir um papel estratégico na curadoria de conteúdos e ganham tempo para desempenhar funções de maior valor agregado como: a orientação da comunidade acadêmica, o desenvolvimento da competência informacional e o apoio ao uso ético e responsável das ferramentas de IA.
Na avaliação da Minha Biblioteca, plataforma digital de conteúdo acadêmico utilizada por instituições de ensino superior, a evolução tecnológica reforça a importância das competências humanas.
“A Inteligência Artificial transforma a forma como acessamos e utilizamos a informação, mas não substitui o olhar crítico e a mediação humana, tornando o bibliotecário um agente na formação de estudantes e pesquisadores. É essa atuação que fortalece o papel das bibliotecas nas instituições de ensino”, afirma Aline Oliveira, bibliotecária da Minha Biblioteca.
Cinco competências para o bibliotecário do futuro
Pensamento crítico
A popularização das ferramentas de IA facilitou a produção de conteúdos, mas também aumentou a circulação de informações imprecisas ou sem validação. Nesse cenário, torna-se indispensável saber avaliar a credibilidade das fontes, interpretar contextos, identificar inconsistências e apoiar a produção de conhecimento confiável.
Comunicação
O bibliotecário atua cada vez mais próximo de estudantes, docentes, pesquisadores, gestores e equipes de tecnologia. Além do atendimento, participa de projetos institucionais, apresenta indicadores e orienta a comunidade acadêmica sobre pesquisa científica, competência informacional e uso responsável da Inteligência Artificial.
Colaboração interdisciplinar
As bibliotecas deixaram de ser apenas espaços de consulta para integrar iniciativas de inovação, transformação digital e melhoria da experiência dos estudantes. Isso exige profissionais capazes de trabalhar em equipes multidisciplinares e conectar diferentes áreas da instituição.
Proatividade
A velocidade das mudanças tecnológicas demanda iniciativa para testar novas ferramentas, acompanhar tendências e propor melhorias nos serviços. Ao automatizar tarefas operacionais, a IA amplia o espaço para que os bibliotecários desenvolvam soluções inovadoras voltadas às necessidades da comunidade acadêmica.
Aprendizagem contínua
A atualização permanente tornou-se parte da rotina dos profissionais da informação. Acompanhando a evolução das tecnologias, das metodologias de ensino e das demandas do ensino superior, o conceito de lifelong learning consolida-se como uma competência indispensável para acompanhar as transformações da profissão.