Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores abriga a 2ª Edição do Projeto Moda Inclusiva

Engana-se quem deduz que as artes visuais só podem ser apreciadas por quem enxerga. Pelo contrário, qualquer pessoa, inclusive alguém com deficiência visual, pode utilizá-la como fonte de inspiração, bem-estar, lazer e renda. Nesse sentido, o Projeto Moda Inclusiva – 2ª Edição se tornou uma referência ao ampliar o acesso à formação no setor criativo e no campo do vestuário. Até 30 de outubro, esta bem-sucedida iniciativa gratuita continuará sendo abrigada no Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores (ICCT), localizado em Campinas (SP).
Em 3 anos de realização, a iniciativa já beneficiou mais de 200 pessoas de 8 instituições, distribuídas por 8 cidades de São Paulo e do Pará.
Direcionada exclusivamente às pessoas com deficiência visual, a quarta turma do projeto foi composta por 20 alunos do ICCT. Ao longo das oficinas gratuitas, divididas entre aulas teóricas e práticas, os participantes recebem noções de criação, modelagem, design inclusivo e desenvolvimento de peças adaptadas, com o objetivo de promover a autonomia criativa, a capacitação técnica e a inclusão produtiva por meio da moda e das artes visuais.
“A moda inclusiva exige sensibilidade, pesquisa e adaptação. Trabalhar com esse público amplia o nosso olhar e reforça o potencial de profissionais que, muitas vezes, não têm acesso a esse tipo de formação. É gratificante acompanhar o impacto que esse projeto gera na vida dos participantes”, destaca a designer Rosangela Rubbo Rodrigues, responsável pela coordenação pedagógica do projeto.
Na mesma sintonia, a iniciativa reforça a importância da representatividade e da construção de soluções criativas com práticas táteis, exercícios aplicados, discussões sobre acessibilidade no vestuário e momentos dedicados à criação autoral, sempre considerando as necessidades reais do público atendido. “A proposta é estimular a independência, a qualificação profissional e as novas possibilidades de geração de renda por meio da expressão artística”, pontua.
A aluna Thaís Nascimento Pocaia, de 52 anos, foi uma das pessoas abraçadas pelo projeto. A participação fez a diferença em sua vida. “Antes da deficiência visual, eu era professora e tinha uma vida muito ativa. Esse curso foi muito além de aprender sobre roupas: foi uma oportunidade de me redescobrir. A moda inclusiva me trouxe liberdade, autonomia e autoconfiança. Comecei a perceber que ainda era capaz de realizar muitas tarefas, fazer minhas próprias escolhas e cuidar da minha aparência de forma independente. Hoje, vejo a moda como uma ferramenta de inclusão, mas também de transformação”, avalia.
SAIBA MAIS
O quê: Projeto Moda Inclusiva – 2ª Edição
Quando: Até 30/10, das 13h às 17h
Onde: Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores (Av. Washington Luís, 570, Jardim Leonor, em Campinas | SP)