Prescrição de medicamentos para idosos exige revisão constante
Combinações, doses e efeitos dos medicamentos podem interferir na saúde e até provocar sintomas inesperados
Para muitos idosos, tomar medicamentos faz parte da rotina. São comprimidos para controlar a pressão, o diabetes, o coração, dores, alterações neurológicas e outras condições que podem surgir ou se tornar mais frequentes com o passar dos anos. O cuidado começa, porém, quando a lista cresce e passa a ser difícil saber se todos continuam sendo necessários, como devem ser tomados e até se algum deles pode estar causando um novo problema.
Com o envelhecimento, o organismo também passa a responder de maneira diferente aos tratamentos. Alterações na função dos rins e do fígado, além de mudanças na composição corporal, podem fazer com que uma dose bem tolerada por um adulto mais jovem tenha um efeito mais intenso no idoso. E, quanto maior o número de substâncias, maior a possibilidade de interações e de efeitos que podem comprometer o bem-estar e a segurança.

Sonolência excessiva, confusão mental, tontura, fraqueza, quedas, perda de apetite, náuseas e alterações importantes da pressão são alguns sinais que merecem atenção. “Principalmente quando um sintoma novo aparece após a introdução de um medicamento ou depois de um aumento de dose, essa relação precisa ser considerada”, alerta Dr. Gustavo.
Cascata
Há ainda situações em que um efeito colateral acaba sendo confundido com uma nova doença e outro remédio é acrescentado para tratá-lo. É a chamada cascata de prescrição. Assim, apenas acompanhar a lista de diagnósticos não é suficiente. É preciso olhar para o conjunto de terapias e para o cotidiano daquele idoso.
Uma revisão periódica pode ajudar a evitar problemas. O ideal é que o paciente ou familiar mantenha uma lista atualizada de todas as prescrições utilizadas, incluindo vitaminas, suplementos e produtos considerados naturais, e leve essas informações às consultas. Também é importante retirar de circulação os medicamentos que foram suspensos, para evitar que sejam administrados por engano.
“Uma boa consulta não é aquela em que necessariamente acrescentamos um medicamento. Muitas vezes, a melhor decisão é justamente retirar algo que já não traz benefício”, ressalta o médico. A chamada desprescrição, no entanto, deve ser feita com orientação profissional, pois alguns comprimidos precisam ser reduzidos gradualmente e não podem ser interrompidos de forma abrupta.
| Foto: Matheus Campos |
É preciso fazer uma revisão das prescrições quando a lista de remédios cresce e passa a ser difícil saber se todos continuam sendo necessários
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Para familiares e cuidadores, a atenção também faz diferença. Uma rotina organizada, com horários definidos e registro das doses administradas, ajuda a evitar esquecimentos e duplicidades. E mudanças de comportamento, memória ou autonomia podem indicar que o idoso já precisa de maior supervisão.
“Nem todo remédio que foi necessário um dia continuará sendo necessário para sempre”, ressalta Dr. Gustavo. Para ele, o cuidado deve considerar não apenas as doenças, mas também a funcionalidade, a rotina, a família e os objetivos de cada pessoa. “A pergunta não deveria ser apenas ‘quantos comprimidos esse idoso toma?’, mas para que serve cada um deles, qual benefício esperamos e se esse benefício ainda faz sentido para aquela pessoa naquele momento da vida”, conclui o Dr. Gustavo.