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Poder é algo que embriaga e que tem regras próprias. Seus caminhos e descaminhos são acessíveis a poucos e se desdobram de maneiras inimagináveis ao longo da história da humanidade. O diretor francês Marc Dugain consegue mostrar isso com rara magia em ‘Troca de rainhas’.

A ação se passa em 1721 com Espanha e França desgastadas por um conflito bélico. O regente francês propõe então uma troca de princesas, em que o rei da França, Louis XV, de 11 anos, se casaria com a nobre espanhola Anna Maria Victoria, então com 4 anos, e o príncipe herdeiro espanhol Louis, de 11 anos, recebe em sua corte a francesa Louise-Elisabeth d’Orleans, de 12 anos.

No entanto, a personalidade das meninas e as intrigas e jogos de poder da corte geram insuspeitados desenvolvimento do que parecia ser uma excelente ideia política. Anna revela-se uma criança meiga, apaixona-se pelo prometido e é admirada na França, embora muito nova para gerar o príncipe herdeiro que o país precisava.

A francesa Louise, por sua vez, geniosa e de temperamento forte, despreza a corte espanhola e não para de cansar seguidos incidentes diplomáticos que podem comprometer a paz proposta. Para piorar, seu prometido, morre de varíola. Ela, porém, ao contrário do que a maioria deseja, não contrai a doença.

O resultado é que a troca é desfeita. As duas princesas não se tornam rainhas e caíram no esquecimento da história, recuperada pela sensibilidade e senso crítico do cineasta francês, que mostra, em tom delicado, mas derrisório, o vazio dos jogos de poder e como eles não medem consequências para atingir o que desejam.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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